Do Código à Liderança Global: A Trajetória Técnica por Trás do CEO da Aeriva
Resumo
Em entrevista exclusiva, Nicolas Dotti detalha a estratégia da Aeriva para desafiar os gigantes globais do turismo. Descubra como o uso de agentes inteligentes e IA generativa está simplificando e conectando todo o ecossistema global de viagens.

Antes de assumir o papel de estrategista na redefinição do ecossistema global de turismo, Nicolas Dotti pavimentou sua carreira diretamente na vanguarda da arquitetura de software e da segurança da informação. Longe de ser um executivo de negócios tradicional, o CEO daAerivatraz consigo o DNA de um desenvolvedor de alta performance, com profundo conhecimento em infraestruturas descentralizadas, inteligência de dados e desenvolvimento ágil.
Sua formação técnica é robusta e diversificada.
Nicolas consolidou sua base em engenharia de dados com uma Diplomatura em Python e especializações avançadas pela Universidad Tecnológica Nacional (UTN Buenos Aires), linguagem que hoje serve de alicerce para os algoritmos de Inteligência Artificial mais sofisticados do mercado.
Antecipando grandes ondas tecnológicas, ele se especializou como desenvolvedor de Blockchain (certificado pela IBM e pela Blockchain Academy) logo no início da ascensão da Web3, e domina a criação de interfaces modernas e cross-platform através de sua expertise em Flutter.
Além disso, sua visão sobre resiliência e integridade de sistemas é respaldada pelo título de Experto Universitario en Hacking Ético (UTN), o que confere àAerivaum diferencial competitivo crítico: a capacidade de construir uma infraestrutura global de viagens que não é apenas inteligente e ultra-conectada, mas estruturalmente segura e blindada.
É com essa bagagem técnica de quem entende "o que acontece sob o capô" que Nicolas lidera aAerivapara resolver um dos problemas mais antigos do setor: a fragmentação tecnológica. Confira a entrevista exclusiva a seguir.
Construindo a próxima geração da infraestrutura de viagens
Skift: AAerivanasceu em um mercado extremamente competitivo e dominado por grandes players globais. Quais foram os momentos mais importantes na construção da empresa?
Nicolas Dotti: Quando começamos o projetoAeriva, observamos que a indústria de viagens ainda operava com uma enorme fragmentação tecnológica. Hotéis, companhias aéreas, operadoras, DMCs, sistemas de reservas e fornecedores utilizavam plataformas que raramente conversavam entre si.
Nossa visão desde o primeiro dia foi diferente: não queríamos apenas criar mais uma OTA ou um metabuscador. Queríamos construir uma camada de inteligência capaz de conectar todo o ecossistema de viagens.
A evolução da IA generativa acelerou enormemente essa oportunidade. Hoje, conseguimos usar agentes inteligentes para organizar informações dispersas, automatizar processos operacionais e criar experiências altamente personalizadas para viajantes e empresas.
O que estamos construindo é uma plataforma onde a tecnologia reduz drasticamente a complexidade do setor.
A viagem autônoma e conectada
Skift: Você falou sobre o conceito de "viagem conectada por AI". O que isso significa na prática?
Nicolas Dotti: As pessoas não querem gerenciar dezenas de aplicativos durante uma viagem. Elas querem viajar.
Mas a realidade é que uma viagem envolve centenas de variáveis: voos, hospedagem, transporte terrestre, clima, documentação, seguros, experiências locais, mudanças operacionais e inúmeros imprevistos.
Nossa visão é que a inteligência artificial assuma grande parte dessa complexidade. Imagine um sistema capaz de entender o contexto completo do viajante, antecipar problemas e agir antes mesmo que eles aconteçam.
- Se um voo atrasa, o transporte é ajustado automaticamente.
- Se a previsão do tempo muda, as atividades são reorganizadas.
- Se surge uma oportunidade melhor de hospedagem ou experiência, o viajante recebe recomendações personalizadas em tempo real.
Acreditamos que o futuro não será apenas digital. Será preditivo. A IA não será apenas uma ferramenta de busca. Ela será uma camada de inteligência permanente acompanhando toda a jornada do viajante.
O papel da Aeriva na era dos agentes de IA
Skift: Muitas pessoas acreditam que, no futuro, agentes de IA farão reservas diretamente com fornecedores. Onde aAerivase encaixa nesse cenário?
Nicolas Dotti: Essa é uma pergunta fundamental. Existe a percepção de que a IA eliminará intermediários. Eu vejo a situação de forma diferente.
A complexidade das viagens não desaparece porque existe uma interface conversacional.
Reservar uma viagem envolve integração tecnológica, pagamentos globais, gestão de inventário, regras tarifárias, atendimento, compliance, suporte operacional e relacionamento com milhares de fornecedores.
Os agentes de AI precisarão de infraestrutura para executar essas tarefas. É exatamente aí que aAerivacria valor.
Estamos construindo uma camada que permite aos agentes acessarem múltiplos fornecedores, consolidarem informações, realizarem transações e resolverem problemas de forma escalável.
A AI conversa com o usuário. AAerivafaz a viagem acontecer.
AI generativa e personalização em escala
Skift: O que mudança quando a AI passa a entender profundamente o viajante?
Nicolas Dotti: A personalização deixa de ser baseada apenas em histórico e passa a ser baseada em intenção. Se alguém está planejando uma viagem para o Japão, não basta saber que essa pessoa gosta de hotéis cinco estrelas.
Precisamos entender o motivo da viagem, as preferências culturais, o perfil de consumo, o orçamento disponível, a flexibilidade da agenda e até mesmo fatores contextuais que mudam diariamente. A AI nos permite transformar milhões de sinais em experiências relevantes.
Isso gera mais valor para o viajante e também para os parceiros da plataforma. Quando conseguimos conectar melhor oferta e demanda, todos ganham.
Construindo uma empresa de IA para o setor de viagens
Skift: Muitas empresas adicionaram AI aos seus produtos. AAerivanasceu em um cenário diferente. Como vocês enxergam isso?
Nicolas Dotti: Existe uma diferença importante entre incorporar AI e nascer orientado por AI. NaAeriva, a inteligência artificial não é uma funcionalidade. Ela está no centro da arquitetura.
Nossos sistemas são projetados para aprender continuamente, automatizar processos complexos e operar com um nível de eficiência impossível em modelos tradicionais.
Acreditamos que as próximas grandes empresas de tecnologia em viagens serão construídas sobre agentes inteligentes, automação avançada e infraestrutura aberta. Estamos posicionados exatamente nessa direção.
Liderança, adaptação e aprendizado constante
Skift: Quais características você considera fundamentais para liderar uma empresa de tecnologia em um momento de transformação tão acelerada?
Nicolas Dotti: Curiosidade intelectual. O mercado muda rápido demais para qualquer pessoa acreditar que já possui todas as respostas. O papel do líder hoje não é saber tudo. É criar um ambiente onde as melhores ideias possam surgir, ser testadas rapidamente e evoluir.
Também acredito muito em adaptabilidade. A tecnologia muda. Os modelos de negócio mudam. Os comportamentos dos consumidores mudam. Empresas que conseguem aprender mais rápido do que seus concorrentes possuem uma enorme vantagem competitiva.
Resiliência e construção de longo prazo
Skift: Empreender em tecnologia exige resiliência. Como você enxerga isso?
Nicolas Dotti: Toda startup enfrenta momentos difíceis, estamos nascendo capitalizados e com um time de engenheiros de alto nível.
Existem períodos em que os resultados demoram mais do que o esperado, em que a tecnologia precisa ser reconstruída ou em que o mercado muda mais rápido do que o planejamento. Nesses momentos, disciplina e resiliência fazem diferença.
Mas resiliência não significa insistir cegamente. Também significa reconhecer quando é necessário mudar de direção.
Muitas vezes, o sucesso não vem de trabalhar mais horas. Vem da capacidade de aprender mais rápido, adaptar-se melhor e manter a execução consistente ao longo do tempo.
Essa combinação entre disciplina, aprendizado contínuo e visão de longo prazo é o que acredito que diferencia empresas que sobrevivem de empresas que transformam mercados.
A visão para o futuro
Skift: Como você imagina aAerivanos próximos anos?
Nicolas Dotti: Vejo aAerivacomo uma das principais camadas de inteligência da indústria global de viagens.
O viajante continuará buscando experiências. Os fornecedores continuarão oferecendo serviços. Mas a forma como esses dois lados se conectam será completamente transformada pela inteligência artificial.
Nosso objetivo é estar no centro dessa transformação. Queremos criar uma infraestrutura onde agentes inteligentes, fornecedores e viajantes possam interagir de maneira mais eficiente, mais personalizada e com menos fricção.
Acreditamos que o futuro das viagens será definido pela AI. E estamos construindo aAerivapara liderar essa mudança.