Além da aplicação: Os desafios de baixa latência e 5G que aprendemos junto com o time do Google Fi
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Resumo: A experiência de viagem começa na camada física da rede. Abrimos o capô da nossa colaboração técnica com o Google Fi para detalhar os desafios de criptografia dinâmica em VPN de borda, tunelamento EAP-SIM e roteamento em roaming 5G estruturados para garantir conexões internacionais sem fricção.
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Nos Bastidores da Conectividade Global: Como o time de Research da aeriva.io colaborou com o Google para redefinir o Roaming Internacional
02 de Julho de 2026 · Por: Diretoria de Engenharia e Research da aeriva.io
No desenvolvimento de plataformas modernas de travel tech, a maioria das empresas foca exclusivamente na camada de aplicação: interfaces de usuário bonitas, motores de busca de passagens e APIs de hotéis.
Na aeriva.io, nossa filosofia de engenharia vai muito mais fundo. Entendemos que a experiência de viagem perfeita depende da camada mais fundamental da tecnologia: a infraestrutura de conectividade.
É por isso que, no início deste ano, nosso time de Core Research & Infrastructure passou semanas em reuniões confidenciais com a equipe de engenharia do Google Fi Wireless em Mountain View. Sabíamos em primeira mão o que estava por vir.
Enquanto o mercado absorve o recente anúncio global do Google Fi sobre a expansão de sua cobertura 5G e segurança automatizada, a aeriva.io orgulha-se de ter atuado como parceira técnica de validação, testando esses pipelines de conectividade em cenários reais de altíssima densidade de tráfego de dados de viagem.
O objetivo deste artigo é abrir o capô dessa colaboração e detalhar os complexos desafios de engenharia de rede, sistemas distribuídos e criptografia que foram superados para viabilizar a conectividade de próxima geração para viajantes globais.

1. O Desafio do Dual-Cellular Switching em Tempo Real
O primeiro pilar da nova atualização do Google Fi — e onde nossa equipe de pesquisa concentrou fortes esforços de testes de estresse — é a tecnologia aprimorada de comutação celular dupla (Dual-Cellular Switching) em tempo real, implementada nativamente nos dispositivos Pixel.
Tradicionalmente, a transição entre redes móveis parceiras em roaming internacional sofre do problema de handover tardio ou quedas abruptas de pacotes (packet loss).
Quando um viajante cruza fronteiras ou entra em zonas de sombra de uma operadora específica, o modem do celular tenta manter o sinal fraco até a desconexão completa antes de iniciar a varredura (scanning) de uma nova rede.
Esse processo pode demorar de 30 segundos a vários minutos.
A Solução de Engenharia:
A arquitetura desenvolvida pelo Google, validada sob os modelos de simulação de mobilidade da aeriva.io, utiliza um arranjo de eSIM/pSIM ativo-ativo a nível de baseband.
O sistema mantém duas identidades de rede internacional registradas simultaneamente na pilha de protocolos de telecomunicação.
Através de algoritmos preditivos baseados em aprendizado de máquina local, o dispositivo analisa parâmetros como RSRP (Reference Signal Received Power) e SINR (Signal-to-Interference-plus-Noise Ratio) para antecipar a degradação da rede atual.
A troca de tráfego de dados ocorre em milissegundos na camada de transporte, garantindo sessões TCP/IP persistentes mesmo durante a mudança física de antenas transmissoras (gNodeB).
2. Orquestração de Dados Multidispositivos em Redes Estendidas (5G Roaming)
A expansão do mapa 5G do Google Fi para 22 novos locais de trânsito complexo, incluindo Marrocos e Colômbia, trouxe um desafio massivo de roteamento e provisionamento de infraestrutura.
Para a aeriva.io, o interesse técnico era crítico: como garantir que nossos usuários consumindo APIs de mapas enriquecidos e realidade aumentada em trânsito mantivessem latências abaixo de 50ms?
A resposta veio na forma de eSIMs dedicados apenas para compartilhamento de dados em topologia estrela (onde um plano Premium orquestra até 5 dispositivos periféricos em conexões celulares paralelas).
Do ponto de vista de sistemas distribuídos, isso exige uma arquitetura de gerenciamento de cotas e pacotes centralizada (PCC - Policy and Charging Control) de baixíssima latência.
O Core da rede do Google Fi precisa validar os cabeçalhos de pacotes vindos de diferentes localizações geográficas e dispositivos (um smartwatch no Japão e um tablet na Coreia, associados à mesma conta pai) sem introduzir gargalos de afunilamento nos servidores de trânsito internacional (IPX - IP Exchange).
3. Criptografia Dinâmica e Otimização de VPN na Borda (Edge)
Viajar internacionalmente expõe os usuários a um risco severo de segurança: redes Wi-Fi públicas e não confiáveis em aeroportos e hotéis.
A expansão da VPN nativa do Google Fi para mercados de infraestrutura densa e vigilante, como Coreia do Sul e Japão, exigiu um redesenho nos protocolos de tunelamento.
O desafio clássico de qualquer VPN é o overhead de criptografia.
Protocolos tradicionais adicionam bytes extras a cada cabeçalho de pacote, reduzindo o MTU (Maximum Transmission Unit) e gerando fragmentação de pacotes, o que destrói a performance de chamadas de vídeo em HD ou uploads pesados.
Métrica de Performance Network
Arquitetura Antiga (Roaming Padrão)
Nova Arquitetura (Google Fi + Validação aeriva)
Tempo de Handover de Rede
12.000ms a 45.000ms (Queda de sinal)
< 250ms (Comutação sem perda de sessão)
Overhead de Criptografia VPN
15% a 20% de perda de vazão útil (Throughput)
< 3% usando criptografia otimizada em hardware
Conexão em Ambientes Ultra Densos
Congestionamento de Espectro Móvel (3G/4G)
Descarga Automática de Tráfego via W+ Offloading
A engenharia conjunta focou em implementar tunelamento baseado em criptografia de curva elíptica de última geração processada diretamente nos coprocessadores de segurança de hardware dos aparelhos.
O tráfego criptografado é roteado para os pontos de presença (PoPs) da borda de rede (Edge) do Google mais próximos do viajante, minimizando a distância física que o dado precisa percorrer antes de entrar no backbone de fibra óptica transoceânico do Google.
4. W+: Engenharia de Wi-Fi Offloading Automatizado
Outro marco tecnológico que acompanhamos de perto foi a implementação da tecnologia W+ (Wi-Fi Auto-Connect+) em hubs aeroportuários selecionados na Europa e na Ásia.
O conceito de Wi-Fi Offloading não é novo, mas sua execução de nível corporativo e transparente para o usuário sempre esbarrou em falhas de autenticação segura.
O protocolo W+ resolve isso eliminando completamente portais de login (captive portals) por meio de autenticação baseada em criptografia de hardware SIM (EAP-SIM / EAP-AKA).
O dispositivo se conecta à rede Wi-Fi criptografada de alta velocidade do aeroporto usando as credenciais seguras do chip celular de forma automatizada.
Para os sistemas de processamento em tempo real da aeriva.io, isso garante que o tráfego de dados críticos dos nossos viajantes seja escoado para canais de altíssima velocidade, evitando o congestionamento das frequências de rádio das operadoras móveis locais em estádios ou terminais lotados.
A Visão da aeriva.io para o Futuro das Viagens
Estar na vanguarda do ecossistema técnico ao lado de gigantes como o Google reafirma o compromisso da aeriva.io com a excelência em engenharia.
Nosso time de Research não estuda apenas tendências; nós ajudamos a testar e moldar os protocolos que ditam como a internet global funciona para quem está em movimento.
A conectividade perfeita, o roaming sem fricção e as redes seguras de ponta a ponta são as fundações sobre as quais estamos construindo as nossas próximas camadas de inteligência artificial aplicada ao turismo.
O futuro do travel tech não reside apenas no software, mas na maestria de integrar software inteligente à infraestrutura de telecomunicação global.