Aeriva Travel Index

Aeriva Travel Intent Index: Turismo salta 4,1% na margem, mas custos do modal aéreo acendem alerta

Summary

A resiliência do setor terciário brasileiro é o destaque do Aeriva Travel Intent Index deste mês. Acompanhando o avanço de 1,2% no volume geral de serviços em abril de 2026, a receita nominal registrou salto de 8,1% em relação ao ano anterior, impulsionando os gastos com alimentação, hospitalidade e lazer. Embora o país mantenha forte atratividade estrutural de longo prazo — ocupando a 26ª posição global no Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo —, o relatório da Aeriva alerta que os riscos institucionais e de segurança pública continuam limitando a atração de fluxos internacionais de alta renda.

By Jessica Almeida

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Aeriva Travel Intent Index - Brasil

Relatório Macroeconômico e de Infraestrutura Conjuntural

Volume V – Junho de 2026

Aeriva Research & Analytics

Report para imprensa aqui

Sumário Executivo

Este relatório, desenvolvido pelo Departamento de Pesquisa da Aeriva, apresenta a edição consolidada do Aeriva Travel Intent Index.

Nosso objetivo é cruzar indicadores de desempenho econômico imediato com pilares estruturais de competitividade internacional para mapear as tendências de mobilidade corporativa, logística e turismo receptivo/emissor no Brasil.

O ambiente atual aponta para uma forte recuperação conjuntural nas atividades turísticas nacionais (+4,1% na margem) e uma resiliência de conectividade logística significativamente superior à média mundial.

Contudo, essa aceleração é contrabalançada por gargalos estruturais persistentes no modal aéreo de passageiros e assimetrias socioeconômicas de longo prazo.

1. Panorama Macroeconômico dos Serviços no Brasil

O encerramento do primeiro quadrimestre de 2026 consolida uma trajetória de resiliência e expansão para o setor terciário brasileiro. De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, o volume total de serviços no país registrou um avanço de 1,2% em abril de 2026 na comparação mensal (série com ajuste sazonal). Esse dinamismo reverte integralmente o recuo de 1,1% observado no mês anterior.

Com este resultado, o setor posiciona-se 19,9% acima do nível pré-pandemia (fevereiro de 2020), orbitando a apenas 0,3% abaixo do topo histórico da série, registrado em outubro de 2025.

Sob a ótica interanual (frente a abril de 2025), o volume expandiu 1,9%, marcando o seu 25º resultado positivo consecutivo. O acumulado nos últimos 12 meses mantém um ritmo robusto de expansão de 2,9%.

Indicadores Conjunturais de Serviços (Brasil - 2026):

  • Abril 26 / Março 26 (Ajuste Sazonal): Volume: +1,2% | Receita Nominal: +1,5%
  • Abril 26 / Abril 25: Volume: +1,9% | Receita Nominal: +8,1%
  • Acumulado Janeiro-Abril: Volume: +2,2% | Receita Nominal: +7,2%
  • Acumulado 12 Meses: Volume: +2,9% | Receita Nominal: +7,5%

2. O Índice de Atividades Turísticas: Forte Recuperação na Margem

O núcleo do Aeriva Travel Intent Index, que mensura diretamente a saúde econômica dos serviços de hospitalidade e deslocamento, apontou uma expressiva expansão de 4,1% em abril de 2026 em relação ao mês imediatamente anterior.

Esta aceleração técnica compensa a retração acumulada de 5,2% verificada no primeiro bimestre do ano. O segmento turístico nacional opera agora 11,2% acima do patamar pré-pandêmico, estando 2,2% abaixo do seu ápice histórico (dezembro de 2024).

Regionalmente, o crescimento foi disseminado por 14 dos 17 locais pesquisados, evidenciando o reaquecimento de polos emissores e receptivos fundamentais:

  • São Paulo: +5,5% (Principal motor de tração do índice nacional).
  • Bahia: +10,8% (Destaque absoluto em fluxo receptivo de lazer).
  • Pernambuco: +6,9%
  • Rio de Janeiro: +2,5%

Apesar da forte reação mensal, o confronto interanual (Abril 2026 / Abril 2025) registrou retração de 1,5%, impactado majoritariamente pela compressão de margens e menor receita de empresas ligadas ao transporte aéreo de passageiros.

No entanto, no acumulado do primeiro quadrimestre, o saldo geral do turismo mantém estabilidade positiva (+0,4%), impulsionado pelo dinamismo nos ramos de serviços de catering, bufês, restaurantes e plataformas digitais de reservas de hospedagem.

3. Dinâmica de Modais de Transporte e Geração de Custos

A viabilidade logística das viagens corporativas e turísticas depende diretamente da eficiência dos transportes.

Em abril de 2026, o volume de transporte de passageiros avançou 2,6% na margem mensal, recuperando parte da perda de 4,1% observada no bimestre anterior. O segmento encontra-se 4,7% acima do nível de fevereiro de 2020.

Em contrapartida, o transporte de cargas recuou 0,9% no mês, assinalando uma acomodação nas cadeias industriais internas.

Nota Técnica Aeriva: O setor de transporte aéreo de passageiros continua sendo o principal foco de pressão inflacionária de custos no nosso índice.

A queda interanual nas receitas reais deste modal setorial exerceu impacto restritivo sobre o volume global de transportes corporativos (-1,4%), um indicador que a Aeriva monitora com atenção para precificação de políticas de viagens corporativas.

4. Competitividade e Conectividade Global do Mercado Brasileiro

Para enriquecer a análise conjuntural com dados estruturais de longo prazo, o departamento de Research da Aeriva integrou as métricas internacionais da plataforma European Commission Composite Indicators Explorer. O ecossistema de infraestrutura do Brasil apresenta excelente desempenho quando comparado com médias globais de desenvolvimento:

  • Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo (Fórum Econômico Mundial): O Brasil ocupa uma sólida 26ª posição entre 119 países, operando a 108% acima da média global. Isso chancela o país como um mercado altamente atrativo para investimentos internacionais em hotelaria, sustentabilidade e experiências turísticas.
  • Índice de Desempenho Logístico (Banco Mundial): Ocupa a 12ª colocação entre 139 países (e o 5º lugar dentro do seu nível de renda), pontuando 110% em relação à média mundial. A eficiência alfandegária e a qualidade da infraestrutura logística doméstica dão suporte robusto a viagens comerciais e de negócios internacionais.
  • Índice de Conectividade Global da DHL: O país posiciona-se no 61º lugar de 181 nações (106% da média global), refletindo fluxos saudáveis de comércio, capital, informação e pessoas além-fronteiras.
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5. Desafios Estruturais e Barreiras Socioeconômicas

Embora os dados de conectividade e infraestrutura logística operem acima das referências internacionais, o Aeriva Travel Intent Index alerta para vulnerabilidades socioeconômicas e institucionais que atuam como barreiras para a atração de fluxos internacionais de alta renda.

De acordo com o Explorer da Comissão Europeia, o país amarga posições baixas em indicadores de estabilidade:

  • Índice Global da Paz: 118º lugar de 171 países (37º de 46 no seu nível de renda).
  • Índice de Liberdade Econômica: 92º lugar de 176 países.
  • Índice de Desenvolvimento Humano Ajustado à Desigualdade (IDH-D): 80º lugar de 169 países.
  • Índice de Estados Frágeis: 95º lugar de 179 países.

Essas disparidades mostram que a expansão das viagens e o pleno aproveitamento da robusta infraestrutura logística nacional dependem ativamente da mitigação de riscos de segurança pública e de reformas institucionais que melhorem a estabilidade socioeconômica.

6. Conclusões e Direcionamento Estratégico

Os dados cruzados pela Aeriva em junho de 2026 demonstram que o mercado interno possui forte elasticidade e demanda aquecida para viagens de lazer e negócios de curta/média distância.

A vigorosa reação de 4,1% no turismo, em harmonia com uma expansão de 8,1% na receita nominal geral de serviços, sinaliza que o consumidor doméstico mantém alto o seu apetite por experiências de consumo fora do domicílio.

Recomendações da Aeriva Research:

  1. Foco Regional: Gestores e operadores de viagens devem concentrar esforços nos eixos São Paulo–Bahia e São Paulo–Rio de Janeiro, polos que demonstram a maior tração econômica e recuperação de margens no período.
  2. Mitigação de Custos Aéreos: Empresas de gestão de viagens corporativas (TMCs) devem implementar políticas rígidas de antecedência de compra e buscar acordos multilaterais, dado o cenário de estresse de receitas e capacidade operacional verificado no transporte de passageiros aéreo.
  3. Aproveitamento Logístico: O mercado corporativo de turismo pode se beneficiar do excelente patamar do Índice de Desempenho Logístico do país para impulsionar feiras de negócios, congressos técnicos e viagens de incentivo ligadas a cadeias produtivas globais.

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